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2º Domingo de Quaresma, Mc 9, 2-10: A Transfiguração

Nesta segunda vez, encontramos Jesus no monte (Tabor), junto com três discípulos, Pedro, Tiago e João, mais duas figuras determinantes da história do povo de Deus: Moisés e Elias. A transfiguração ou transformação ou metamorfose de Jesus, quem exprime em sua luminosidade o futuro acontecimento pascal de sua ressurreição, situam-nos a todos, na continuação do evangelho, no caminho de Jerusalém e de sua cruz. Por isso, percebo:

 

1)      Marcos, Mateus e Lucas nos dão conta desta passagem sobre a transfiguração de Jesus.

2)      Todos os três, num primeiro momento, naquele do batismo, a voz do Pai nos convida a seguir Jesus em sua luta contra a opressão e o mal do mundo. Jesus conhece as multidões que o seguem e escutam. Poderíamos dizer que é o momento do triunfo humano de Jesus.

3)      Neste segundo momento da transfiguração do Senhor, a voz do Pai nos convida a seguir a Jesus, na mesma luta, que o levará até a morte de cruz. Aos poucos, as multidões sumirão, enquanto que Jesus conhecerá a traição, a negação, o medo e a fuga de todos, perante a condenação da cruz. Neste segundo momento, certamente, Jesus se encaminha para o rotundo fracasso da cruz.

4)      Pedro, Tiago e João são os três discípulos que Jesus convida sempre em momentos mais íntimos e decisivos para a oração, para o encontro com Deus, para o discernimento de levar a bom termo sua missão, mesmo quando eles cochilam (que nem nós mesmos, tantas vezes) ou, como neste caso querem fazer “três tendas”, isto é se acomodarem mais perto do céu do que das realidades complicadas da terra.

5)      Moisés e Elias. Moisés, o libertador de Israel e fundador da nação na grande Aliança com Deus. E o profeta Elias, cuja volta era esperada no fim dos tempos. Todos os dois conversam com Jesus. Jesus em contato com eles, é quem vai fazer acontecer as antigas promessas. Um acontecimento diferente de mitos ou sonhos irrealizáveis, num mundo onde a realidade do mal e da morte se impõe a todos. Também esmaga a Jesus. Porém, a luminosidade e a transparência de Jesus indica que o mal será vencido pelo próprio Deus e seu Filho amado, apesar de todas as aparências. (Todos nós, ao longo de nossas vidas, também experimentamos a mesma luminosidade de Deus em nós).  

6)      Na descida do monte, (a montanha é sempre o lugar da revelação de Deus) Jesus falará em ressuscitar dos mortos, mas os discípulos discutem o significado disto, que nos indica a dificuldade original da compreensão da cruz e da Páscoa de Cristo que, apenas no fim conclusivo do evangelho, se torna o grande anúncio, como esperança realizada do Novo Homem, Jesus, primogênito de todos nós.

7)      Na descida do monte, Jesus encontra a mesma situação de luta pela libertação dos homens submetidos ao mal (pecado, sofrimento, morte) que, a partir da consciência de sua filiação divina, leva-o  até a cidade santa de Jerusalém, ao Templo profanado de Deus, à condenação a morte de cruz. A mesma realidade que, ao longo da historia, os seguidores de Jesus encontramos.

A luminosidade do Cristo no Tabor manifesta sua (e nossa) verdadeira identidade profunda como homens, criados à imagem de Deus, e resgatados pela cruz e ressurreição. Nesta caminhada quaresmal, vivendo desde já na luz que dissipa as trevas do mal, vamos continuar acompanhado ao Senhor, dentro deste nosso mundo como ele é,  apesar de nossas limitações, de nossas dúvidas, de nossas incompreensões, de nossos pecados, ... até a sua (e nossa) Páscoa.

Pe. Agustin sj

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