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Reitor do Seminário fala sobre o real sentido do Natal

Não tinha lugar para ele no Shopping

 

“E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria”(Lucas 2,7). Incrível e, ao mesmo tempo, impactante: o Filho de Deus quis fazer-se um de nós. Não apreendemos tão facilmente: o Deus excelso e supremo, altíssimo. O Deus Todo Poderoso quis fazer-se homem; sem deixar de ser Deus. Humano como nós. Igual a nós em tudo, menos o pecado. Viveu a sua kenosis. Rebaixou-se. Além disso, nasce não nos palácios do seu tempo. Nasce não numa família abastada, mesmo sendo de linhagem real. Jesus Cristo nasce numa pobre família de Nazaré, na Galiléia. Nasce pobre entre os pobres. E não pôde nascer num lugar descente, digno… Mas num estábulo. Tal situação não aconteceu de forma casual. Jesus Cristo é o Emanuel; o Deus conosco. Ele quis e quer estar conosco. Mas estar, não somente de forma material. Estar não somente de forma humana. Ele quer partilhar da nossa humanidade; quer ser um conosco. Compartilhando das nossas esperanças, alegrias, vitórias, tristezas e desafios. Ele quer ser um de nós. “Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”(Mateus 25,40). Ele quer fazer parte da nossa história, do nosso tempo. Ele quer ser um de nós.

O tão familiar texto bíblico citado no início do parágrafo anterior me faz lembrar as centenas e milhares de crianças e adultos do nosso tempo que não têm direito a entrar, e nem muito menos a comprar nos palácios do consumo dos tempos hodiernos. Talvez para nós que o podemos, torna-se algo até corriqueiro ir ao Shopping e fazer as compras do Natal; com toda praticidade e conforto que esses grandes centros nos trazem. Jesus veio para os marginalizados do seu tempo. Foram eles que o acolheram. Isso me faz pensar. Como esses milhares de irmãos de rua, pobres, “descartáveis” para a sociedade de hoje, vão viver este tempo tão forte e intenso como o Natal? Cada vez mais crescem os “moradores de rua”, dependentes químicos, pedintes, os limpadores de pára-brisas, etc… E o pior é que nos acostumamos com isso. O ser humano habitua-se com toda e qualquer situação. Vemos, em pleno dia, adultos, crianças dormindo nos canteiros das ruas, nas calçadas. Parece que, infelizmente, tal realidade torna-se comum; e até normal. Que pena.

Sei que mudar essa realidade não é algo fácil. A conjuntura social, política e econômica que gera tantas desigualdades em nosso país, trás consigo a globalização da pobreza; e até da miséria, para muitos. Mas, uma coisa sei que podemos fazer. Sejamos uma luz a testemunhar a Luz verdadeira, que é Jesus Cristo. Sejamos agentes do evento Jesus Cristo não somente para os nossos familiares e conhecidos, mas, também, para alguém que encontrarmos no relento da vida, neste Natal. Melhor ainda: sejamos Natal, para alguém que ainda não o descobriu, desistiu de fazê-lo, ou não tem como vivê-lo.

 

                          Pe. José Nazareno Vieira da Nóbrega

Reitor do Seminário de São Pedro e Vigário Episcopal para o Clero

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