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Entrevista com o Seminarista José Marcos Silva de Lima

Filho da Cidade da Esperança e que vai se ordenar Diácono no próximo dia 17/12/2015.

A igreja é sempre filha de seu tempo
José Marcos - Seminarista

Porque você quer ser Padre?
Essa é uma pergunta que quando ela é assim feita de surpresa, ela causa certo impacto. Por que a vocação é sempre um mistério, e um mistério de Deus que se revela na vida da pessoa, de um modo muito íntimo e interior. Mas de modo muito subjetivo, eu posso dizer que querer ser padre é um desejo que tenho a muitos anos, de querer viver esse espírito de doação na igreja. Então só posso dizer que responder a essa pergunta, é deixar-se iluminar pelo próprio chamado de Deus.

Querer ser padre pra que e por quê? Porque justamente, dentro de mim eu sinto esse chamado de Deus, e para que justamente, para servir mais a igreja, de modo mais especifico, animando a vida das comunidades e celebrando os sacramentos, que dão vida a estas mesmas comunidades.

Quando despertou sua vocação?
Bem, a vocação sacerdotal, ela a principio surgiu ainda quando criança, por volta dos cinco a sete anos por aí, quando eu ainda tinha essa idéia um pouco vaga, de querer ser padre, e acredito que a graça de Deus nesse momento, foi me envolvendo e fez com que, desde cedo, começasse a participar das coisas da igreja, eu já com onze anos, me tornei coroinha e de lá para cá, foi todo um percurso que começou justamente desde minha infância.

Há quanto tempo você esta se preparando?
Eu costumo dizer, que a própria vida é uma preparação, posso dizer que a vida em si já é um seminário, que nos prepara, não somente para o dia da ordenação, mais tudo aquilo que é próprio da vocação, no caso aqui da vocação sacerdotal, que passa pelo diaconato. Então esse tempo de preparação é um pouco longo, a principio antes de ser seminarista fui religioso durante sete anos e quatro meses, então tive uma formação diferente dos demais seminaristas diocesanos, e fui acolhido na Arquidiocese de Natal, na condição de seminarista estagiário. No início deste ano, fui enviado ao Município de Ceará Mirim, para a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição para realizar meu estágio paroquial pastoral e hoje estou aqui me preparando para a Ordenação diaconal.

Qual foi o caminho que você seguiu até agora?
Eu comecei na Congregação dos Filhos de Sant’Ana como aspirante, também fui Monge Beneditino, onde passei mais tempo, onde já citei na pergunta anterior, depois desse caminho trilhado, cheguei ao Seminário de São Pedro da Arquidiocese de Natal, para complementar os estudos de teologia e pastorais e assim me preparar melhor para o diaconato.

Você encontrou alguma dificuldade?
Dificuldades no caminho daqueles que querem servir a Deus, seja como padre, como religioso ou como missionário, até mesmo como agente de pastoral são muitos os obstáculos. A própria vida vai apresentando também as dificuldades, mais elas vão sendo superadas graças à oração, graças à força dos Sacramentos. As dificuldades materiais, financeiras, de tempo e com os novos modos de vida, por exemplo, quando você sai de casa para viver em um convento ou no seminário você sai de todo aquele conforto onde você mesmo faz seu horário, faz sua vida, onde agora, você vai viver uma vida diferente, pautada em novos valores, muita renuncia a obediência ao superior. A vida em comum, não deixa de ser uma doação ao outro.

Você morre um pouco para si, e da à vida ao outro e a própria comunidade. Esta é apenas uma das dificuldades que a vida vai apresentando e com a força de Deus a gente vai enfrentando e realizando a experiência de Deus na minha e nas nossas vidas.

O que seus familiares pensam a respeito de sua vocação?
Em relação à família, meus pais sempre acolheram com muito bom gosto esse sonho sacerdotal, e eu posso dizer que isso foi o que me fez também continuar esta minha caminhada e vivenciar as dificuldades que eu fui encontrando durante a jornada. Posso dizer que sou muito feliz justamente pelo fato de ter pais que entenderam o meu chamado e que até mesmo me incentivaram no percurso desse caminho.

Durante a caminhada teve vontade de desistir?
Eu acredito que em toda vocação há sempre aqueles momentos nos quais se têm dúvidas. Se a gente olhar as Sagradas Escrituras, todos os Profetas, os apóstolos, eles tiveram em algum momento dúvidas ou objeção. Por exemplo: Pedro ao negar o próprio cristo três vezes. Posso dizer que são as dúvidas e até mesmo a vontade de desistir que faz com que uma vocação se torne solida, ela se torne fundamentada mais sempre naquela perspectiva, que a gente não pode parar ai as dúvidas elas existem justamente para nos dar forças, para que a gente possa tornar a nossa vocação mais forte ainda.

Trazendo para hoje a Igreja Católica, como você a vê nos dias atuais?
Eu posso dizer, que com a vinda do Papa Francisco, com seu pontificado a igreja tem começado a viver um novo tempo, em sua trajetória é uma igreja que esta voltada cada vez mais, para o mundo para as realidades presentes, é uma igreja que esta tentando manter um contato atual com o homem e a mulher de hoje, por que a igreja como eu costumo dizer sempre em minhas reflexões, quando tenho a oportunidade de falar para as comunidades “A igreja é sempre filha de seu tempo”. Então nós como cristãos, como batizados, não podemos querer viver uma igreja do passado e do futuro, mais uma igreja do presente, mais uma igreja que tenta estar em contato com o povo, sobre tudo com os mais necessitados e pobres.

Aqueles que estão à margem da sociedade, então a igreja católica hoje ela deve ser para o mundo, e ela esta tentando refletir isso, o rosto misericordioso de Deus para o homem e a mulher de hoje.

O que espera do futuro?
Bem de modo pessoal, que eu possa vivenciar o ministério sempre na obediência, a Jesus Cristo e a sua igreja, também ao bispo diocesano, já que estou prestes, a me tornar um ministro ordenado, para a Arquidiocese, então se espera de mim, que se tenha essa obediência, e em relação à igreja que ela continue sempre bem mais vivendo essa dimensão missionária de levar as boas novas de Jesus Cristo a todas as pessoas.

Quem foi o grande incentivador de sua vocação?
Eu tive grandes incentivadores em minha vocação, graças a Deus! O próprio povo de Deus, quando ele percebe que dentro de uma pessoa existe realmente uma vocação específica sobre tudo para o ministério sacerdotal, o povo ajuda ao candidato, ao vocacionado a discernir isso. Eu tive bons incentivadores tanto homens como mulheres. Se eu fosse citar aqui nomes eu iria cometer ate injustiças, por não se lembrar de alguns que foram muitos.

Agora em se tratando de Padres posso citar alguns, como padre Agustín, que foi aquele com o qual eu tive meu primeiro contato, fui coroinha por muito tempo e não resta dúvidas de que ele foi o grande incentivador da minha vocação, já que esta próximo ao altar como coroinha é sempre um vislumbrar. Aqueles que têm a vocação, de um futuro sacerdócio, o altar nos ajuda a viver o sonho sacerdotal. Depois do Padre Agustín, tiveram outros como: Padre Tiago, onde também fui coroinha do mesmo por pouco tempo, também catequista da Paróquia de Santa Maria Mãe, o Padre Jonerikson, Padre Inácio, Padre Sílvio, foram sacerdotes, que me ajudaram nessa caminhada e foram grandes incentivadores do meu chamado. A própria equipe de formadores do Seminário.

Como você observa o trabalho do Papa Francisco na igreja?
Vejo o Papa Francisco, como sendo a pessoa ideal para o tempo da igreja de hoje, sua palavra é uma palavra profética, dirigida ao homem de hoje, sobretudo o que ele vem tentando mostrar. É esse rosto misericordioso de Jesus e também o amor que o cristão deve ter tão somente pela igreja, mas também pelo mundo, pela sociedade, até porque nós estamos no mundo, não estamos fora dele, a nossa palavra deve ser dirigida ao mundo e a sociedade, e o Papa Francisco, com seu exemplo simples, seu gesto de solidariedade, está tentando mostrar isso na prática, ele não é um Papa somente da teoria ou das cartas ou dos discursos, ele é um Papa que mostra, na prática aquilo que nós como críticos devemos fazer no nosso dia-a-dia.

O que espera da igreja Arquidiocesana de Natal?
A Arquidiocese de Natal, pela graça de Deus, tem um referencial missionário aqui, enquanto igreja do Nordeste, a gente sabe que a realidade do Nordeste, é uma realidade sofrida socialmente, mas também pastoralmente, em termos de missão, é uma igreja que está cada vez mais se abrindo a esta realidade. É uma Igreja graças a Deus motivada por boas vocações, temos o nosso Seminário com muitos vocacionados e seminaristas, candidatos ao sacerdócio, temos também religiosos e religiosas, atuando aqui nas várias frentes e em obras sociais e missionárias. Então posso afirmar que é uma igreja que tem um grande futuro se continuar nesse ritmo, e o seu futuro não é outro a não ser continuar sua grande obra missionária de evangelização nestas terras Potiguares, onde é banhada pelo sangue de nossos Mártires.

Quais os estudos necessários para quem quer ser padre?
Desde antiguidade é claro, que o Padre vai ser um homem da palavra, ele deve ser antes de tudo, homem do estudo. Então a igreja reserva dois tipos de formações universitárias, para o candidato ao sacerdócio, que são dois cursos: o de filosofia e o de teologia.

Na filosofia o candidato vai trabalhar mais as questões humanas, quem é o ser humano, e aí durante todo o estudo da filosofia, que são de três a quatro anos dependem de cada seminário, ele vai tentar fazer de seu estudo aquelas três grandes perguntas: Quem sou eu? Por que estou aqui? Para onde estou caminhando? São as três grandes interrogações que existem em cada pessoa que vem ao mundo, e que a filosofia vai trabalhar a partir das descobertas dos filósofos, da própria historia, como responder a tudo isso. A filosofia, portanto vai lançar luzes para a teologia, por isso que quando o candidato ao ingressar no seminário ele faz logo filosofia e não teologia. Porque é na filosofia que ele vai ver todas estas questões, aí sim, depois que o ser humano descobre quem ele é, o que ele está fazendo, pra onde ele está caminhando, ele vai poder chegar à grande descoberta de quem é Deus. Santo Agostinho já dizia isso: “Ninguém pode descobrir quem é Deus se não se descobrir a si mesmo”. Porque Deus esta no íntimo de cada um, e não fora como a gente pensa. A teologia vai ser o complemento da filosofia, aquilo que a filosofia lança para a transcendência, ou seja, aquilo que está acima da nossa capacidade de pensar humanamente, a teologia vai responder a isso, com o olhar da fé, a teologia é o coroamento então na filosofia.

Também estudamos disciplinas como sociologia, filosofia social e política etc. tudo que está relacionado ao ser humano e a sua vida neste mundo. Na teologia vemos disciplinas como as Sagradas Escrituras, escatologia, pastoral etc. que vai preparar justamente o futuro candidato ao sacerdócio para o ministério da palavra e dos sacramentos.

Encerrando, gostaria de agradecer a PASCOM Esperança pela entrevista e quero convidá-los para minha Ordenação Diaconal que será no próximo dia 17 de dezembro às 18 horas na Catedral de Nossa Senhora da Apresentação.

Por: Nailson Veras - PASCOM Esperança

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